Solteirice em alta: como brasileiros estão reinventando a vida sem parceiro

  • 08/08/2026
(Foto: Reprodução)
Globo Repórter: As novas faces da solterice - 07.08.2026 Quase metade dos brasileiros vive sem companheiro ou companheira. São pessoas que nunca se casaram, se divorciaram, se separaram ou ficaram viúvas. Segundo dados do IBGE, os solteiros já representam 48,7% da população, um retrato que reflete mudanças profundas na forma de construir relações, organizar a rotina e buscar felicidade. Se antes a solteirice costumava ser associada à solidão ou ao fracasso amoroso, hoje ela ganha novos significados. Autonomia, amizades, liberdade de escolha e projetos pessoais aparecem cada vez mais como elementos centrais na vida de quem não está em um relacionamento. É o que mostrou o Globo Repórter desta sexta-feira (7). Assista a íntegra do programa no vídeo acima. O novo retrato dos solteiros no Brasil Reprodução/TV Globo Novas redes de afeto Para muitas mulheres, a vida sem parceiro abriu espaço para fortalecer outras conexões. Foi o que aconteceu com Thaíse Valentim, Rafaely Alves, Sabrina Franco e Carolina Piacitelli. Moradoras de diferentes estados, elas se conheceram por meio de uma comunidade online e transformaram a amizade em uma rede de apoio. "A gente se conectou imediatamente. E a gente nunca mais parou", resume Thaíse. "Não somos uma amizade de balada. É uma amizade que se constrói por meio de muitos assuntos", afirma. As quatro viajam juntas, compartilham desafios pessoais e celebram conquistas. Para Rafaely, que enfrentou um divórcio após anos de casamento, o grupo ajudou a preencher um vazio deixado pela mudança de vida. "Talvez eu tenha me tornado aquilo que todo mundo abomina: tia solteira. E eu provo ali que a tia solteira não sofre. Tia solteira viaja, se banca, tia solteira tem amigas", diz. Entre amigas, viagens e novas experiências: mulheres mostram outro jeito de viver sem parceiro Reprodução/TV Globo Mais mulheres solteiras O crescimento da solteirice também tem relação com mudanças demográficas. Embora nasçam mais homens do que mulheres, a mortalidade masculina é mais alta ao longo da vida, especialmente por causas externas, como acidentes e homicídios. O resultado é uma inversão na composição populacional. Hoje, o país tem cerca de 95 homens para cada 100 mulheres. Há ainda 6,3 milhões de solteiras a mais do que solteiros no Brasil. Mesmo assim, especialistas afirmam que as mulheres continuam enfrentando julgamentos sociais maiores do que os homens. "Eu acho que as mulheres ainda enfrentam preconceito, principalmente com a ideia de que elas estão encalhadas", afirma a psicóloga e professora da Universidade de Brasília (UnB), Valeska Zanello. O psicanalista Lucas Bulamah observa que a pressão social permanece desigual. "Para os homens nunca foi tão estigmatizante estar solteiro. A figura do solteirão é uma figura charmosa. Já a mulher solteira era a mulher que ficaria para titia", afirma. Segundo ele, hoje surgiu uma nova representação: "a figura da mulher solteira feliz". O novo retrato dos solteiros no Brasil Reprodução/TV Globo Casar mais tarde virou o novo normal Outra transformação importante está na idade em que os brasileiros decidem oficializar uma união. Dados do IBGE mostram que as mulheres se casam, em média, aos 29 anos, enquanto os homens se casam aos 31. Entre jovens trabalhadores do agronegócio em Mato Grosso, estado que concentra mais solteiros do que solteiras segundo o Censo de 2022, o foco frequentemente está no trabalho e na construção de estabilidade financeira antes da vida a dois. "Tenho 27 anos hoje. Minha meta é ter um casamento a partir dos 30 anos", conta o técnico em agropecuária Willian Balen. Mato Grosso é o único estado do Brasil onde homens solteiros são maioria, aponta IBGE Reprodução/TV Globo Morar sozinho e criar novas rotinas A mudança aparece também dentro de casa. Segundo dados citados na reportagem, 20% dos brasileiros moram sozinhos. O mercado imobiliário já responde a essa tendência com a oferta crescente de apartamentos compactos voltados para esse público. Divorciado e pai de um adolescente, Elmo é um exemplo dessa nova realidade. Morando sozinho em um apartamento de 22 metros quadrados em São Paulo, ele afirma ter encontrado uma forma confortável de viver. "Tudo o que eu precisava, essencial, eu consigo colocar nesses 22 metros quadrados e ser muito feliz", afirma. A vida solo também movimenta novos serviços, como empresas de refeições prontas, lavanderias e empreendimentos imobiliários adaptados a quem vive sozinho. Como solteirice em alta levou mercado imobiliário a se adaptar Reprodução/TV Globo Entre aplicativos e encontros presenciais A busca por relacionamentos continua existindo, mas acontece de maneiras diferentes. Para muitos solteiros, os aplicativos se tornaram uma ferramenta cotidiana. Após o fim de um casamento de dez anos, Elisa passou a usar plataformas de relacionamento para conhecer novas pessoas. "No aplicativo você entra e já tem um monte de mensagens, convites para sair. Na vida real, dificilmente você vai sair com um telefone ou alguma coisa", afirma. Especialistas, porém, alertam para os desafios desse universo digital. Segundo Valeska Zanello, os aplicativos ampliam possibilidades de encontro, mas também podem estimular uma lógica de descarte rápido nas relações. Ao mesmo tempo, iniciativas que valorizam o contato presencial ganham espaço. Em Brasília, a empreendedora Samantha Hewsen criou um "catálogo de solteiros" em bares para ajudar pessoas a se conhecerem fora das telas. A ideia já resultou até em relacionamentos duradouros. 'Catálogo de solteiros': iniciativa usa fotos para aproximar pessoas fora dos aplicativos de namoro Reprodução/TV Globo Felicidade sem pré-requisito Para a psicóloga Valeska Zanello, a principal mudança está na forma como a felicidade passou a ser percebida. "É possível ser feliz sozinho? Muito feliz. Mas não é pouco não. Muito feliz. Porque ser sozinho no sentido amoroso, romântico, não significa estar sozinho no mundo", afirma. Aos 61 anos, após três casamentos, Denise diz que não pretende voltar ao altar. Hoje, prefere aproveitar a liberdade e os prazeres da rotina. "São tantos prazeres na vida. Se tiver um romance, bom. Mas também, se não tiver, eu estou feliz", resume. O novo retrato dos solteiros no Brasil Reprodução/TV Globo LEIA TAMBÉM: Tesouro escondido: reforma em casa revela sem querer relíquia arqueológica de 900 anos atrás em Portugal; VÍDEO Confira as últimas reportagens do Globo Repórter:

FONTE: https://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2026/08/08/solteirice-em-alta-como-brasileiros-estao-reinventando-a-vida-sem-parceiro.ghtml


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